Frida Kahlo - Sobre Amor

Era sede de muitos anos retida em nosso corpo.
Palavras encadeadas que não pudemos dizer a não ser nos lábios do sonho.
Tudo rodeava o milagre vegetal da paisagem de teu corpo.
Sobre tua forma, ao meu tato, responderam as pestanas das flores, os rumores dos rios.
Todas as frutas no sumo de teus lábios, o sangue da granada, o que se oculta no sapoti e a integridade do abacaxi.
Apertei você contra meu peito e o prodígio de tua forma penetrou em todo meu sangue pela gema de meus dedos.
Olor à essência de carvalho, à lembrança de nogueira, a verde alento de freixo.
Horizontes e paisagens que percorri com o beijo.
Um esquecimento de palavras formará o idioma exato para entender a mirada de nossos olhos fechados.
Estás presente, intangível e és todo o universo que formo no espaço de meu quarto.
Tua ausência brota tremulando no ruído do relógio, no pulsar da luz; respiras através do espelho.
Daí até minhas mãos, percorro todo teu corpo, e estou contigo um minuto e estou comigo um momento.
E meu sangue é o milagre que vai pelas veias do ar de meu coração ao teu.

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