A Andorinha e a Janela



Numa janela, solitária,
Fugida do seu bando,
Uma andorinha olhava
Em volta, o seu mundo.

Uma escada vazia...
Um terraço deserto...
Sem céu, sem verde,
Sem torre, sem ninho.

Andorinha sozinha
Pensava em voar
Céu aberto... Bem alto.
Perto das montanhas.

Mas tinha medo...
Medo de cair.
Às vezes, andorinha voava baixo
Tinha sensação de liberdade.

Mas, vinha a saudade da janela
Porque a janela era o elo
Que a unia ao seu bando.

Coitada da andorinha...
Sofria e fazia o bando sofrer.
Queria, na verdade, com ele viver.

Mas teimava em ficar na janela.
Sem se atrever a voar alto...
Bem alto, voar sobre as montanhas
Ver as nuvens de perto.

Tinha as asas fortes...
Beleza, saúde
A andorinha podia.
Mas, teimosamente, não queria.

Sempre parada a olhar...
Uma escada vazia...
Um terraço deserto.

Só que andorinha não sabia
Que ela podia voltar ao bando
Que tanto sofria por ela.

Era só olhar prá dentro dela
E fechar a janela.
(Ondina Carrilho)

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