Cocaína



“Deus colocou na natureza uma substância muito eficaz para o controle da dor, porém o Homem, em sua ganância e estupidez, fez dela, literalmente,
uma verdadeira ‘Droga’.”


A cocaína é consumida pela humanidade há pelo menos cinco mil anos.
Diversas populações utilizam a folha da Coca (ou Epadu) para longas caminhadas ou cavalgadas, nas matas do Amazonas, Pará, Acre e nos Andes, no intuito de amenizar o cansaço, a dor e a fome.
Este hábito é controlado pelos próprios usuários, que evitam a dependência da droga.

Os primeiros produtos comerciais produzidos com esta substância começaram a surgir no início da segunda metade do século, como infusões revigoradoras de folhas de coca, pastilhas para aliviar dores dentárias, tônicos e bebidas, alcoólicas e não alcoólicas, que recebiam cocaína em sua composição.
Duas delas ficaram bem famosas: o Vinho de Coca Mariani, produzido pelo médico corso que a batizou com seu sobrenome, e a Coca-Cola, do boticário norte-americano J. S. Pemberton, que a vendia para o combate à cefaléia e como tonificante.
A partir de 1906 a coca foi retirada da fórmula da Coca-Cola devido a implicações legais.

A Cocaína, substância branca, amarga e inodora, na forma de cristais ou pó, e que pode ser bebida, aspirada ou injetada, foi sintetizada em 1859, concentrando os alcalóides existentes na planta Erythroxylon coca.
Nesta apresentação a Coca se torna extremamente perigosa.
Concentrada, diferente do que é encontrado na natureza, é altamente viciante e seus efeitos, são de toxicidade elevadíssima.

A Cocaína age bloqueando a condução de impulsos nas fibras nervosas, produzindo uma sensação de amortecimento e resfriamento das extremidades do corpo.
Ela também contrai os vasos sanguíneos inibindo hemorragias, além de funcionar como anestésico local.
Ingerida ou aspirada, ela potencializa os efeitos na estimulação nervosa, inibindo a reabsorção da norepinefrina (uma substância orgânica semelhante à adrenalina).
Estimula o sistema nervoso central, semelhante ao efeito das anfetaminas.
No cérebro, afeta principalmente as áreas motoras, produzindo agitação intensa.

A ação da cocaína no corpo é poderosa, porém breve, durando cerca de meia hora, já que é rapidamente metabolizada.
Observa-se também, que o organismo vai adquirindo uma certa resistência à droga, fazendo com que os usuários queiram, cada vez mais, doses mais significativas para obter o mesmo efeito de antes.
Também a utilizam seguidamente para fugir da profunda depressão que se segue após o seu efeito.
Surge aí o viciado.

O efeito da cocaína leva a um aumento de excitabilidade, ansiedade, Hipertensão Arterial, náuseas e alucinações. Um relatório norte-americano afirma que uma característica peculiar da psicose paranóica, resultante do abuso de cocaína, é um tipo de alucinação na qual, formigas, insetos ou cobras imaginárias parecem estar caminhando sobre ou sob a pele do viciado.
Sua aspiração por período prolongado danifica as mucosas e os tecidos nasais, e em alguns casos, causam perfuração do septo.

Doses elevadas consumidas regularmente causam sangramento nasal, coriza persistente, palidez, suores frios, convulsões, desmaios, arritmias cardíacas, Infarto Agudo do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral, parada respiratória, e algumas vezes, a morte.
 

"... Eu critico os pobres mortais condenados a viver neste vale de lágrimas, enquanto eu, levado nas asas de duas folhas de coca, saio voando através dos espaços de 77, 438 palavras, cada uma mais esplêndida do que a anterior... Uma hora mais tarde, eu estava suficientemente calmo para escrever estas palavras com a mão firme: Deus é injusto porque ele fez o homem incapaz de sustentar o efeito da coca durante toda a vida. Eu prefiro ter uma vida útil de dez anos com a Coca que uma de 10 000 000 (e aqui eu tenha inserido uma linha de zeros) séculos sem Ela...”
Paolo Mantegazza (1831-1910)  

Fonte:   Núcleo Einstein de Álcool e Drogas
             Ciência Viva (Portugal)
             Experiência própria e de amigos em cavalgada nas matas do Pará



Não deixe de ler a carta escrita por Fred Mercury 




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