O Mais Belo e Sincero Poema de Natal

Passaram-se os dias de festa
E o que resta do espírito natalino…

O menino Jesus volta a crescer mendigo
Sem amigos que o entendam, provavelmente…
Sai do berço e volta à cruz gemente,
Estranho e distante.

Passou o Natal…
Passou o Ano Novo…

E o encanto dos presentes fica por conta
Da confraternização…
O pobre sentiu-se feliz,
O rico sentiu-se humano
 (e todos se enganaram novamente)

É o novo calendário…
É a fantasia!
Mas não muda a realidade
Não muda a crueldade
Não muda a bondade…
Os homens são os mesmos
Os seres são os mesmos
Os pobres são os mesmos
Os ricos são os mesmos
 (o governo é o mesmo)

Resta, desconhecida, a energia da Fonte,
Resta, desconhecido, o calor e o brilho da luz:
O Espírito está Vivo mas, resta desconhecido!
E a sua força do bem querer
E a sua força do bom ânimo que se irradia…

E a força humana desta divina alma humana
Ainda exala perfume e poesia…

Passaram-se as festas:
O Natal, o Ano Novo, o engano!
Mas, resta ainda algo de bom em nós…
Resta uma pequena brasa de calor humano
Resta um pirilampo de sinceridade
 (alguma coisa que não seja engano)

Quem sabe não seja a consciência
De que após o Natal houve festa de demônios
Festejando as almas das crianças de Herodes?
(festejando as almas das crianças de Nicolau?)
Que houve fuga, e solidão, e tristeza…

Que o menino cresceu no tédio de calar-se sempre,
De distanciar-se sempre, de chorar sempre…
Ao ver a pobreza, e a miséria sempre,
E a maldade sempre, e a angústia sempre…
E ainda ir só à cruz, e só tornar-se um estranho “Cristo”,
Oscilando entre uma manjedoura de plástico e uma cruz romana…

Onde está o filho de Mirian?
Onde está o jovem barmitzvá?
Onde está o mestre, o rabi e o profeta?
Perdido entre os fios de barba branca e plástica…
Perdido e entregue à cruz pelos seus algozes, perpetuamente…

Quem sabe, não seja a necessidade e o acaso?
Quem sabe, não seja o tempo e o espaço?
E, sem razão, gritos que atravessam a noite?

Quem sabe não seja a consciência
De que nada podemos esperar de novo
Senão de nós mesmos, e das nossas mãos,
E dos nossos atos, e da nossa alma…
autoria atribuída a Fernando Pessoa

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