Pedaço de Mim - Chico Buarque

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus




Vídeo sobre a música Pedaço de mim, de Chico Buarque, numa interpretação sensível do compositor em duo com Zizi Possi , fazendo um homenagem às primorosas interpretações de grandes atrizes e atores em filmes que tratam da perda pela morte:
    "O Quarto do Filho" (Nanni Moretti): Laura Morante & Nanni Moretti
    "A Liberdade é Azul" (Krzysztof Kieslowski): Juliette Binoche
    "Mães de Chico": (Glauber Filho / Halder Gomes): Vanessa Gerbelli & Joelson Medeiros ; Via Negromonte & Herson Capri
   "Chico Xavier" (Daniel Filho): Christiane Torloni & Tony Ramos 



N. Rogero - A força da Saudade



Como ousa esta saudade
Se instalar dentro de mim,
Se mandei blindar meu corpo
P’ra não mais sofrer assim...

Só agora eu entendi
O porquê desta invasão,
Um corpo a gente blinda,
Mais jamais o coração.

Paulo Sant'Ana – Meus Secretos Amigos



Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto
E a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
Enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor,
Que tivessem morrido todos os meus amores,
Mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos
E o quanto minha vida depende de suas existências...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade,
Não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica
E não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
Embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro,
Noto que eles não tem noção de como me são necessários,
De como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
Porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí
E se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam,
Eu rezo pela vida deles.
E me envergonho,
Porque essa minha prece é, em síntese,
Dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
Cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
Compartilhando daquele prazer...

Se alguma coisa me consome e me envelhece
É que a roda furiosa da vida
Não me permite ter sempre ao meu lado,
Morando comigo,
Andando comigo,
Falando comigo,
Vivendo comigo,
Todos os meus amigos, e, principalmente
Os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber
Que são meus amigos!”

Por que sofremos - Comentário de Maristela Guedes no Clube dos Blogueiros


“Por que sofremos?
Pelo beijo cancelado.
Pelas palavras não ditas.
Porque nosso time perdeu.
Por falta de grana.
Pelo trabalho mal pago.
Por sonhos desfeitos.
Por sonhos impossíveis.
Por traições.
Pela falta de oportunidade.
Pela nossa descrença.
Por falta de um amor.
Enfim sofremos por tudo.
Muitas vezes sem razão.
Porque somos acostumados a nos lamuriar.
E não temos coragem de dar a cara para bater.
Somos eternos sofredores de carteirinha.
Ir a luta deixou de ser prioridade.
Ao sofrer se ganha bolsas.
Bolsa família, bolsa daquilo, bolsa disso...
Sofrer faz bem, a pessoa se acomoda.
E vira cliente do governo.
Saúde, educação não importa.
Afinal analfabetos não questionam.
Apenas geram votos.”

O Melro - Guerra Junqueiro



O melro, eu conheci-o:
Era negro, vibrante, luzidio,
Madrugador, jovial;
Logo de manhã cedo
Começava a soltar, dentre o arvoredo,
Verdadeiras risadas de cristal.
E assim que o padre-cura abria a porta
Que dá para o passal,
Repicando umas finas ironias,
O melro; dentre a horta, Dizia-lhe:
    "Bons dias!"
E o velho padre-cura
não gostava daquelas cortesias. 


 
O cura era um velhote conservado,
Malicioso, alegre, prazenteiro;
Não tinha pombas brancas no telhado,
Nem rosas no canteiro:
Andava às lebres pelo monte, a pé,
Livre de reumatismos,
Graças a Deus, e graças a Noé.
O melro desprezava os exorcismos
Que o padre lhe dizia:
Cantava, assobiava alegremente;
Até que ultimamente
O velho disse um dia:
    “Nada, já não tem jeito! Este ladrão
      Dá cabo dos trigais!
      Qual seria a razão
      Por que Deus fez os melros e os pardais?!" 


 
E o melro, entretanto,
Honesto como um santo,
Mal vinha no oriente
A madrugada clara,
Já ele andava jovial, inquieto,
Comendo alegremente, honradamente,
Todos os parasitas da seara
Desde a formiga ao mais pequeno inseto.
E apesar disto, o rude proletário,
O bom trabalhador,
Nunca exigiu aumento de salário.

Que grande tolo o padre confessor!

Foi para a eira o trigo;
E, armando uns espantalhos,
Disse o abade consigo:
    “Acabaram-se as penas e os trabalhos."
Mas logo de manhã, maldito espanto!
O abade, inda na cama,
Ouvindo do melro o costumado canto,
Ficou ardendo em chama;
Pega na caçadeira,
Levanta-se dum salto,
E vê o melro, a assobiar, na eira,
Em cima do seu velho chapéu alto! 


 
Chegou a coisa a termo
Que o bom do padre-cura andava enfermo;
Não falava nem ria,
Minado por tão íntimo desgosto;
E o vermelho oleoso do seu rosto
Tornava-se amarelo dia a dia.
E foi tal a paixão, a desventura
 (Muito embora o leitor não me acredite)
Que o bom do padre-cura
Perdera o apetite! 



Andando no quintal, um certo dia,
Lendo em voz alta o Velho Testamento,
Enxergou por acaso...
 (que alegria! Que ditoso momento!)
Um ninho com seis melros, escondido
Entre uma carvalheira.

E ao vê-los exclamou enfurecido:
    “A mãe comeu o fruto proibido;
     Esse fruto era minha sementeira:
     Era o pão, e era o milho;
     Transmitiu-se o pecado.
     E, se a mãe não pagou, que pague o filho.
     É doutrina da Igreja. Estou vingado!"

E, engaiolando os pobres passarinhos,
Soltava exclamações:
    "É uma praga. Malditos!
     Dão me cabo de tudo esses ladrões!
     Raios os partam! Andai lá que enfim"

E deixando a gaiola pendurada,
Continuou a ler o seu latim,
Fungando uma pitada.


Vinha tombando a noite silenciosa;
E caía por sobre a natureza
Uma serena paz religiosa,
Uma bela tristeza
Harmônica, viril, indefinida.

A luz crepuscular
Infiltra-nos na alma dorida
Um misticismo heróico e salutar.
As árvores, de luz inda douradas,
Sobre os montes longínquos, solitários,
Tinham tomado as formas rendilhadas
Das plantas dos herbários.

 

Recolhiam-se a casa os lavradores.
Dormiam virginais as coisas mansas:
Os rebanhos e as flores,
As aves e as crianças.

Ia subindo a escada o velho abade;
A sua negra, atlética figura,
Destacava na frouxa claridade,
Como uma nódoa escura.
E, introduzindo a chave no portal,
Murmurou entre dentes:
     "Tal e qual tal e qual!
      Guisados com arroz são excelentes." 


  
Nasceu a Lua. As folhas dos arbustos
Tinham o brilho meigo, aveludado,
Do sorriso dos mártires, dos justos.
Um eflúvio dormente e perfumado
Embebedava as seivas luxuriantes.
Todas as forças vivas da matéria
Murmuravam diálogos gigantes

Pela amplidão etérea.
São precisos silêncios virginais,
Disposições simpáticas, nervosas,
Para ouvir falar estas falas silenciosas
Dos mundos vegetais.
As orvalhadas, frescas espessuras,
Pressentiam-se quase a germinar.
Desmaiavam-se as cândidas verduras
Nos magnetismos brancos do luar.

E nisto o melro foi direito ao ninho.
Para o agasalhar, andou buscando
Umas penugens doces como arminho,
Um feltrozito acetinado e brando.
Chegou lá, e viu tudo.
Partiu como uma fecha; e, louco e mudo,
Correu por todo o matagal; em vão!
Mas eis que solta de repente um grito
Indo encontrar os filhos na prisão.



    "Quem vos meteu aqui?!"
O mais velho todo tremente, murmurou então:
     "Foi aquele homem negro.  
     Quando veio, chamei, chamei.
     Andavas tu na horta
     Ai que susto, que susto!
     Ele é tão feio!
     Tive-lhe tanto medo!
     Abre esta porta
     E esconde-nos debaixo da tua asa!
     Olha, já vão florindo as açucenas;
     Vamos a construir a nossa casa
     Num bonito lugar
     Ai! quem me dera, minha mãe,
     Ter penas para voar, voar!" 


 
E o melro alucinado clamou:
     "Senhor! Senhor!
     É porventura crime ou é pecado
     Que eu tenha muito amor
     A estes inocentes?!
     Ó natureza! Ó Deus! Como consentes
     Que me roubem assim os meus filhinhos,
     Os filhos que eu criei!
     Quanta dor, quanto amor, quantos carinhos,
     Quanta noite perdida
     Nem eu sei...
     E tudo, tudo em vão!
     Filhos da minha vida
     Filhos do coração!!!
     Não bastaria a natureza inteira,
     Não bastaria o Céu par voardes,
     E prendem-vos assim desta maneira!
     Covardes!
     A luz, a luz, o movimento insano,
     Eis o aguilhão, a fé que nos abrasa
     Encarcerar a asa
     É encarcerar o pensamento humano.
     A culpa tive-a eu! Quase à noitinha
     Parti, deixei-os sós
     A culpa tive-a eu, a culpa é minha,
     De mais ninguém! Que atroz!
     E eu devia sabê-lo!
     Eu tinha obrigação de adivinhar
     Remorso eterno! eterno pesadelo!
     Falta-me a luz e o ar!
     Oh, quem me dera
     Ser abutre ou fera
     Para partir o cárcere maldito!
     E como a noite é límpida e formosa!
     Nem um ai, nem um grito
     Que noite triste!, oh, noite silenciosa!"

 

E a natureza fresca, onipotente,
Sorria castamente
Com o sorriso alegre dos heróis.
Nas sebes orvalhadas,
Entre folhas luzentes como espadas,
Cantavam rouxinóis.

Os vegetais felizes
Mergulhavam as sôfregas raízes
A procurar na terra as seivas boas,
Com a avidez e as raivas tenebrosas
Das pequeninas feras vigorosas
Sugando à noite os peitos das leoas.
A lua triste, a Lua merencória,
Desdémona marmórea,
Rolava pelo azul da imensidade,
Imersa numa luz serena e fria,
Branca como a harmonia,
Pura como a verdade.
E entre a luz do luar e os sons das flores,
Na atonia cruel das grandes dores.

O melro solitário
Jazia inerte, exânime, sereno,
Bem como outrora o Nazareno
Na noite do calvário!
 
 

Segundo o seu costume habitual,
Logo de madrugada
O padre-cura foi para o quintal,
Levando a Bíblia e sobraçando a enxada.
Antes de dizer missa,
O velho abade inevitavelmente
Tratava da hortaliça
E rezava a Deus-Padre Onipotente
Vários trechos latinos,
Salvando desta forma, juntamente,
As ervilhas, as almas e os pepinos.

E já de longe ia bradando:
     "Olá! Dormiram bem? Estimo
     Eu lhes darei o mimo,
     Canalha vil, grandíssima ralé!
     Então vocês, seus almas do Diabo,
     Julgam que isto que era só dar cabo
     Da horta e do pomar,
     E o bico alegre e estômago contente,
     E o camelo do cura que se agüente,
     Que engole o seu latim e vá bugiar!
     Grandes larápios! Era o que faltava
     Vocês irem ao milho,
     E a mim mandar-me à fava!
     Pois muito bem, agora que vos pilho
     Eu vos ensinarei, meus safardanas!
     Vocês são mariolões, são ratazanas,
     Têm bico, é certo, mas não têm tonsura
     E, nas manhas, um melro nunca chega
     Às manhas naturais de um padre-cura.
     O melhor vinho que encontrar na adega
     É para hoje, olé! Que bambochata!
     Que petisqueira! Melros com chouriço!
     E então a Fortunata
     Que tem um dedo e jeito para isso!
     Hei-de comer-vos todos um a um,
     Lambendo os beiços, com tal gana enfim,
     Que comendo-vos todos, mesmo assim
     Eu fico ainda quase em jejum!
     E depois de vos ter dentro da pança,
     Depois de vos jantar,
     Vocês verão como o velhote dança,
     Como ele é melro e sabe assobiar!"

 

Mas nisto o padre-cura, titubeante,
Quase desfalecendo,
Atônito de horror, parou diante
Deste drama estupendo:

O melro, ao ver aproximar o abade,
Despertou da atonia,
Lançando-se furioso contra a grade do cárcere
Torcia, para os partir os ferros da prisão,
Crispando as unhas convulsivamente
Com a fúria dum leão.
 
Batalha inútil, desespero ardente!
Quebrou as garras, depenou as asas
E alucinado, exangue,
Os olhos como brasas,
Herói febril, a gotejar em sangue,
Partiu num vôo arrebatado e louco,
Trazendo, dentro em pouco,
Preso do bico, um ramo de veneno.
E belo e grande e trágico e sereno, disse:
     "Meus filhos, a existência é boa
     Só quando é livre. A liberdade é a lei,
     Prende-se a asa mas a alma voa
     Ó filhos, voemos pelo azul! Comei!" 



E mais sublime do que Cristo, quando
Morreu na Cruz, maior do que Catão,
Matou os quatro filhos,
Trespassando quatro vezes o próprio coração!
Soltou, fitando o abade,
Uma pungente gargalhada de lágrima, de dor,
E partiu pelo espaço heroicamente,
Indo cair, já morto, de repente
Num carcavão com silveiras em flor.

E o velho abade, lívido d'espanto,
Exclamou afinal:
     "Tudo o que existe é imaculado e é santo!
     Há em toda a miséria o mesmo pranto
     E em todo o coração há um grito igual.
     Deus semeou d'almas o universo todo.
     Tudo que o vive ri e canta e chora
     Tudo foi feito com o mesmo lodo,
     Purificado com a mesma aurora.
     Ó mistério sagrado da existência,
     Só hoje te adivinho,
     Ao ver que a alma tem a mesma essência,
     Pela dor, pelo amor, pela inocência,
     Quer guarde um berço, quer proteja um ninho!
     Só hoje sei que em toda a criatura,
     Desde a mais bela até à mais impura,
     Ou numa pomba ou numa fera brava,
     Deus habita, Deus sonha, Deus murmura!
     Ah, Deus é bem maior do que eu julgava"



E quedou silencioso. O velho mundo,
Das suas crenças antigas, num momento,
Viu-o sumir exausto, moribundo,
Nos abismos sem fundo
Do temeroso mar do Pensamento.
E chorou e chorou A Igreja, a Crença,
Rude montanha, pavorosa, escura,
Que enchia o globo com a sombra imensa
Dos seus setenta séculos d'altura;
O Himalaia de dogmas triunfantes,
Mais eternos que o bronze e que o granito,
Onde aos profetas Deus falava dantes,
Entre raios e nuvens trovejantes,
Lá dos confins sidérios do infinito;
Esse colosso enorme, em dois instantes
Viu-o tremer, fender-se e desabar
Numa ruína espantosa,
Só de tocar-lhe a asa vaporosa
Duma avezinha trêmula, a expirar!

E, arremessando a Bíblia,
O velho abade murmurou:
     "Há mais fé e há mais verdade,
     Há mais Deus concerteza
     Nos cardos secos dum rochedo nu
     Que nessa Bíblia antiga Ó Natureza,
     A única Bíblia verdadeira és tu!..."

 

Era – Miseri Mani


Vou esperar o sol no topo do mundo para te contar tudo sobre a beleza da luz...




Misere Mani
Misere Mani
E la menora
I mare via
Dove manore
Misere mani

I will look in the sky
I will search for the signs
Who tell us all about
Where we'll be tomorrow
I will read all the books
Of many continents
To tell you all about
The legends of the past
I will wait for the sun
On the top of the world
To tell you all about
The beauty of the light
If you look inside your soul
The world will open to your eyes
You'll see

E la menora e mano via
Misere mani dove manore
E mano via misere malevo
Dove manore e mano via
Misera amare

I will stand in the rain
Hope of song will come true
And I'll see the colors
Of a misty rainbow
I'll stay out in the night
Looking moon, shooting stars
To tell you how magic
Is the all universe
If you look inside your soul
The world will open to your eyes
You'll see
E la menora
I mare via
Dove manore
Misere mani

Vou olhar para o céu
Vou procurar pelos sinais
Que nos dirá tudo sobre
Onde estaremos amanhã
Lerei todos os livros
De vários continentes
Para te contar sobre todas
As lendas do passado
Vou esperar o sol
No topo do mundo
Para te contar tudo sobre
A beleza da luz
Se você olhar dentro da sua alma
O mundo se abrirá para seus olhos
Você verá

E la menora e mano via
Misere mani dove manore
E mano via misere malevo
Dove manore e mano via
Misera amare

Vou ficar na chuva
Espero que a canção vire realidade
E eu verei as cores
De um arco íris nebuloso
Eu vou ficar fora na noite
Olhando para a lua , estrelas cadentes
Para te contar o quão mágico
É o nosso universo
Se você olhar dentro de sua alma ,
O mundo se abrirá para os seus olhos
Você vai ver

Frases Sobre o Amor



“Eu queria ser poeta,
Mas poeta eu não posso ser,
Porque poeta pensa muito
E eu só penso em você.”
(desconheço o autor)
“Eu te amei no passado,
E te amo no presente.
Se o futuro permitir,
Te amarei eternamente”
(desconheço o autor)
“Amar não é aceitar tudo.
Aliás: onde tudo é aceito,
Desconfio que há falta de amor.”
(Vladimir Maiakovski)
“Ser profundamente amado por alguém nos dá força;
Amar alguém profundamente nos dá coragem.”
(Lao-Tse)
“Se sou amado,
quanto mais amado
mais correspondo ao amor.
Se sou esquecido,
devo esquecer também,
Pois amor é feito espelho:
-tem que ter reflexo.”
(Pablo Neruda)
“Não ser amado é falta de sorte,
Mas não amar é a própria infelicidade.”
(Albert Camus)
 “Só existe uma lei no amor;
Tornar feliz a quem se ama.”
(Stendhal)
“Tudo é amor.
Até o ódio, o qual julgas ser a antítese do amor,
Nada mais é senão o próprio amor que adoeceu gravemente.”
(Francisco Cândido Xavier)
“Ah o amor …
Que nasce não sei onde,
Vem não sei como
E dói não sei porque…” 
(Carlos Drumond de Andrade)


Martha Medeiros - A Dor Que Dói


Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa,
Dói morder a língua,
Dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é saudade.

Saudade de um irmão que mora longe.

Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que já morreu.
Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos.
Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.

Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã.
Mas quando o amor de um acaba,
Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber.

Não saber mais se ele continua se gripando no inverno.
Não saber mais se ela continua clareando o cabelo.
Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu.
Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ele tem comido frango de padaria,
Se ela tem assistido as aulas de inglês,
Se ele aprendeu a entrar na Internet,
Se ela aprendeu a estacionar entre dois carros,
Se ele continua fumando Carlton,
Se ela continua preferindo Pepsi,
Se ele continua sorrindo,
Se ela continua dançando,
Se ele continua pescando,
Se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber.

Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos,
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento,
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música,
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber.

Não querer saber se ele está com outra,
Se ela está feliz,
Se ele está mais magro,
Se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama,
E ainda assim, doer.

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