A palavra, o tempo e o vento



O Vento assoviava alegremente uma linda canção.
As palavras dançavam ao ritmo da música
E pareciam flutuar ao sopro do Vento.
Quando percebia que alguma das palavras
Se desequilibrava, e quase caía,
O Vento soprava com mais força,
Tão distraídas as palavras ficavam,
Ao serem embaladas naquele ritmo contagiante.

Por onde o Vento passava,
Ouviam-se as canções que ele sempre carregava consigo.
Muitas vezes, não eram só canções que ele transportava,
Mas sim, algumas palavras que soavam perdidas
E que só eram ouvidas
Por quem as conseguia interpretar.

E o Tempo,
Que estava sempre atento,
Sabia muito bem disso.

Por mais que o Tempo demorasse a passar
(muitas vezes ele parecia não ter pressa nenhuma)
Ele tinha conhecimento de todas as palavras
Que eram sussurradas pelo Vento,
Mesmo aquelas que poucos conseguiam ouvir.

Quando o Vento estava distraído,
Uma dessas palavras ele trazia de volta,
Pois não sabia a quem as entregar.

Só o Tempo,
Que era muito observador,
Conseguia interpretar.

Essa Palavra
Que parecia não fazer nenhum sentido,
Se encaixava perfeitamente
No quebra-cabeça montado pelo Tempo.
Era só uma questão de tempo.

E o Tempo,
Que era o Senhor do Universo,
Estava sempre atento,
Pois dependia dele,
Encaixar a Palavra certa,
No tempo certo
E dar a ela o seu verdadeiro significado.

 (Débora Benvenuti)


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