O Leão e O Rato



“Às vezes o fraco pode ser de ajuda ao forte.”

Esopo, 1995

O leão era orgulhoso e forte, o rei da selva. Um dia, enquanto dormia, um minúsculo rato correu pelo seu rosto. O grande leão despertou com um rugido. Pegou o ratinho por uma de suas fortes patas e levantou a outra para esmagar a débil criatura que o incomodara.

- Oh! Por favor, poderoso leão – pediu o rato. Não me mate, por favor. Peço-lhe que me deixe ir. Se o fizer, um dia eu poderei ajudá-lo de alguma maneira.

Isso foi para o felino uma grande diversão. A idéia de que uma criatura tão pequena e assustada como um rato pudesse ser capaz de ajudar o rei da selva era tão engraçada que ele não teve coragem de matar o rato.

-Vá embora – grunhiu ele – antes que eu mude de idéia.

Dias depois, um grupo de caçadores entrou na selva. Decidiram tentar capturar o leão. Os homens subiram em duas árvores, uma de cada lado do caminho, e seguraram uma rede lá em cima. Mais tarde, o leão passou despreocupadamente pelo lugar. Ato contínuo, os homens jogaram a rede sobre o grande animal. O leão rugiu e lutou muito, mas não conseguiu escapar.

Os caçadores foram comer e deixaram o leão preso à rede, incapaz de se mover. O leão rugiu por ajuda, mas a única criatura na selva que se atreveu a aproximar-se dele foi o ratinho.

- Oh! É você? – disse o leão. Não há nada que possa fazer para me ajudar. Você é tão pequeno!

- Posso ser pequeno – disse o rato, mas tenho os dentes afiados e estou em dívida com você.

E o ratinho começou a roer a rede. Dentro de pouco tempo, ele fizera um furo grande o bastante para que o leão saísse da rede e fosse se refugiar no meio da selva.

La Fontaine

Ao sair do buraco, um rato, entre as garras terríveis de um leão, se achou.
O rei dos animais, em mui magnânimo ato, nada ao ratinho fez, e com vida o deixou.
A boa ação não foi em vão.
Quem pensaria que um leão alguma vez precisaria de um rato tão pequeno? Pois é, meu amigo, leão também corre perigo, e aquele ficou preso numa rede, um dia. Tanto rugiu, que o rato ouviu e acudiu, roendo o laço que o prendia. Mais vale a pertinaz labuta que o desespero e a força bruta.

Monteiro Lobato,1994
Ao sair do buraco viu-se o ratinho entre as patas do leão. Estacou, de pêlos em pé, paralisado pelo terror. O leão, porém, não lhe fez mal nenhum.
- Segue em paz, ratinho; não tenhas medo do teu rei. Dias depois o leão caiu numa rede. Urrou desesperadamente, debateu-se, mas quanto mais se agitava mais preso no laço ficava.
 Atraído pelos urros, apareceu o ratinho.
- Amor com amor se paga – disse ele lá consigo e pôs-se a roer as cordas. Em um instante conseguiu romper uma das malhas. E como a rede era das tais que rompida a primeira malha, as outras cedem, o leão conseguiu se soltar e fugir.
Mais vale paciência pequenina do que arrancos de leão.

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