Carnaval


Carnaval.
Para alguns, época de se fantasiar e ir para as ruas e clubes, beber, dançar e fazer tudo aquilo que normalmente não faria em outros dias do ano.
Para outros, época de se juntar aos amigos, descansar em um lugar tranquilo, longe das obrigações do dia a dia.
Me encontro neste segundo grupo. Mas já estive no primeiro, quando mais jovem. Tudo tem sua idade.
Hoje, ao passar por uma cidade do interior, onde o carnaval de rua é o forte, me deparei com adolescentes fantasiados, felizes, soltos, brincando com todos que passavam pelas ruas.
Como um flash back, me lembrei de minha adolescência numa cidade do interior. A nostalgia invadiu minha alma. Como aquilo era bom e o quanto foi importante para mim já ter feito tudo aquilo que aquelas crianças estavam fazendo.
Lembro-me que nos encontrávamos na esquina de minha casa, com roupas bem confortáveis, alguns fantasiados, outros não, e íamos para a rua. Na época, sem dinheiro para gastar, descíamos a pé até o local onde trios elétricos animavam a multidão. Parávamos em um bar e cada um tomava uma ‘porradinha’, feita com cachaça e Sprit. Você põe no copo, tampa com a mão e dá uma porrada com o joelho no fundo do copo. Aí você bebe antes de acabar a espuma, numa golada só. Pronto. Já estávamos prontos para toda a tarde e a noite.
Não existia essa história de abadá. Qualquer pessoa podia seguir o trio elétrico, brincar e dançar.
Era uma época muito diferente da de hoje. Ninguém tinha maldade, nem medo. As pessoas que ali estavam, estavam para brincar. Não havia a violência tão temida nos dias atuais.
Era também a época dos flertes. Já existia o ‘ficar’, mas não como hoje. No máximo que rolava eram uns beijinhos, e escondidos. Ai se os pais ficassem sabendo...
Os hormônios, como em todos os jovens, estavam a flor da pele. Era fantástico quando aquele carinha bonito nos olhava nos olhos e dançava na mesma roda.
As marchinhas de carnaval eram o máximo, e o trevo melhor ainda. Ainda me lembro como se fosse hoje de dançar e cantar Massa real na voz de Gal Costa:

Hoje eu só quero você
Seja do jeito que for
Hoje eu só quero alegria
É meu dia, é meu dia
Hoje eu só quero amor
Hoje eu só quero prazer
Hoje vai ter que pintar
Só quero a massa real
É o meu carnaval
Hoje eu só quero amar
Hoje eu não quero sofrer
Não quero ver ninguém chorar
Hoje eu não quero saber
De ouvir dizer que não vai dar
Vai ter que dar, vai ter que dar
Esse é o meu carnaval
Vai ter que dar, vai ter que dar

E Festa no Interior: Gal Costa 
Composição: Moraes Moreira e Abel Silva


Fagulhas, pontas de agulhas
Brilham estrelas
De São João

Babados, xotes e xaxados
Segura as pontas
Meu coração

Bombas na guerra-magia
Ninguém matava
Ninguém morria

Nas trincheiras da alegria
O que explodia era o amor (2x)

Fagulhas, pontas de agulhas
Brilham estrelas
De São João

Babados, xotes e xaxados
Segura as pontas
Meu coração

Bombas na guerra-magia
Ninguém matava
Ninguém morria

Nas trincheiras da alegria
O que explodia era o amor (2x)

Ardia aquela fogueira
Que me esquentava
A vida inteira, eterna noite
Sempre a primeira
Festa do Interior (2x)


Saudades de tempos que não voltam mais.
Hoje já não teria tanta graça como naquela época.
Por isso moçada, aproveitem ao máximo. Pode ser que amanhã já não tenha tanta graça. A idade chega, os hormônios diminuem, aumentam as responsabilidades, e o que era importante e divertido na mocidade, passa para um segundo plano, e depois, nem se lhe pagar, você enfrenta aquela multidão.
Cris Corradi


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...