Morte Encefálica



Muitas pessoas têm medo de doar órgãos pelo medo de retirarem os órgãos, sem que realmente estejamos mortos. Entendem que vida e morte estejam ligadas ao batimento cardíaco e não a função do cérebro.

O coração pode parar de bater por alguns minutos, e com ajuda de profissionais da saúde, voltar a bater, e a pessoa continuar viva. Mas se o cérebro perder suas funções, não há como existir vida. Somente nestes casos é que se atesta a morte de uma pessoa, esteja ou não seu coração batendo.

A maior parte dos órgãos só são viáveis para serem doados, nos casos em que o cérebro morre e o coração continua batendo. Para muitos, é muito difícil entender que o paciente está morto, vendo ele ali, ligado aos aparelhos, com o coração batendo e uma máquina respirando por ele.

Para entender é necessário saber o que é a morte do cérebro, ou morte encefálica.

Morte Encefálica é a perda definitiva e irreversível das funções do cérebro, mais especificamente, do tronco cerebral. O tronco cerebral é a porção mais nobre e antiga do encéfalo (formado pelo tronco encefálico, cérebro e cerebelo). A morte do tronco cerebral não pode ser revertida como acontece na parada cardíaca. No tronco cerebral há diversas estruturas responsáveis pelas nossas funções vitais, pela vida. Controle de pressão arterial, atividade cardíaca, respiração e nível de consciência. É o que nos mantém vivos. O conceito de morte cerebral foi cientificamente definido e aceito por todas as religiões como cessação da vida.
Para se fazer o diagnóstico de morte encefálica, primeiro é necessário saber a causa da que levou o paciente a ficar em coma, se foi um traumatismo craniano, um derrame, ou outro mecanismo que levou a morte do tronco encefálico.
O diagnóstico de morte encefálica é realizado seguindo o “Termo de Declaração de Morte Encefálica”, onde o exame clínico é feito por dois diferentes médicos em diferentes intervalos de tempo, sendo obrigatória a utilização de pelo menos um exame complementar (eletroencefalograma, arteriografia, doppler, SPECT, cintilografia).
A Declaração de Óbito é assinada com o horário e data do último exame realizado para se confirmar a morte encefálica, e não com o horário que o coração para de bater.
 Quando uma equipe médica chega a dizer a família que o paciente está em Morte Encefálica, realmente não existe mais vida. E é nesta hora difícil e dolorosa, que os familiares terão que decidir se vão ou não ajudar aqueles que estão na fila para receber algum órgão para continuar a viver.
Pensem nisso com carinho.
Não deixem para a última hora.
Você pode ajudar uma pessoa, ou deixar que a terra leve seus órgãos junto de seu corpo.
Cristina Corradi


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