A lenda do boto



A lenda do boto cor de rosa, por possuir um caráter indígena, é muito popular na região Norte do Brasil. Não há registros da lenda no Brasil antes do século XVIII. Mas, na mitologia dos índios tupis, há um deus - o Uauiará - que se transforma em boto. Esse deus adora namorar belas mulheres.

O boto é um animal típico da Amazônia, que vive em praticamente todos os rios e lagos da região. Ao viajar por essa região, é comum avistar esse belo animal mergulhando ou ondulando nas águas.

O boto está sempre observando o que acontece nos barcos que cruzam os rios e na movimentação dos moradores e turistas que ficam à beira d’água. Ele é um animal muito vaidoso. Se alguém o admira ele se exibe ainda mais, nadando e saltando com graciosidade, e em alguns casos, pode até se aproximar das pessoas.

Existem dois tipos de botos na Amazônia: o rosa e o cinza.
Os moradores locais dizem que o boto rosa se transforma em rapazes brancos e loiros e que o boto cinza se transforma em jovens morenos e mulatos, ambos igualmente belos e com grande poder de sedução.
Os mais velhos contam que o boto pode agir de duas maneiras diferentes.

Uma, durante o dia, o Boto sobe e desce o rio, a procura de uma bela donzela. Quando menos se espera, ele inicia sua estratégia de conquista, seu sutil encantamento sobre as mulheres que ficam admirando seus mergulhos e acrobacias. Em geral, ele prefere encantar moças novas e ingênuas que ficam em casa sozinhas, sem a companhia dos pais e irmãos mais velhos. No entardecer ele visita a casa da jovem para e a seduz.

A segunda e mais conhecida lenda diz que, ao anoitecer o boto cor-de-rosa se transforma em um belo homem e sai das águas, muito bem vestido e de chapéu, para esconder os orifícios que todos os botos têm no alto da cabeça, que os caracterizam como peixe
Nas comunidades ribeirinhas as festas são sempre grandes momentos de alegria, aonde as pessoas podem se encontrar para ouvir música, desfrutar de comidas típicas, dançar e paquerar. Tudo isso torna esse ambiente favorável para o boto agir. Chega em meio a movimentação e logo desperta atenção das mulheres que passam a disputar uma oportunidade de dançar com ele.

O rapaz-boto dança, bebe e conversa com as mulheres. Usando de sua grande habilidade como dançarino, o boto sempre consegue conquistar a mulher mais bela. Então, ele a convence a acompanhá-lo para um passeio no fundo do rio, local onde costuma engravidá-la. Depois, antes do dia surgir, a abandona e retorna para o rio, pois quando amanhece o galante rapaz volta a sua forma de peixe.
Com o passar do tempo, a mulher descobre que ficou grávida do boto.

Por isso, na região norte do Brasil, quando as pessoas desejam justificar a geração de um filho fora do casamento, ou um filho do qual não se conhece o pai, é comum ouvir que a mulher ficou grávida do boto e que a criança é filha do boto.

Até hoje, mães solteiras na região do Amazonas dizem que seus filhos são filhos "do boto"!
Não existe questionamento sobre a paternidade. Estar grávida do boto é como se fosse uma coisa natural.
Em algumas regiões também se acredita que se uma mulher está grávida do boto, sua filha também poderá ter um filho do boto.

O olho do boto, seco, é considerado um ótimo amuleto para conseguir sucesso no amor. Se o homem quer conquistar uma mulher, dizem que ele deve olhar para ela através de um olho de boto. Desse jeito, ela não vai poder resistir - e vai ficar perdidamente apaixonada...



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...