Páscoa - História e Símbolos



A Páscoa começa na quarta feria de cinzas e termina no domingo de páscoa. Durante os 40 dias da quaresma, os cristãos procuram purificar o espírito, livrando-se dos pecados. Sempre é celebrada no domingo depois da primeira lua cheia da primavera.

Muito antes de ser considerada uma das principais festas do Cristianismo, a Páscoa representa a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes.

Uma festa de passagem comemorava o fim do inverno e a chegada da primavera entre povos europeus há milhares de anos atrás, principalmente na região do Mediterrâneo. Geralmente, esta festa era realizada na primeira lua cheia da época das flores, durante o mês de março. Entre os povos da antiguidade, o fim do inverno e o começo da primavera era de extrema importância, pois estava ligado a maiores chances de sobrevivência em função do rigoroso inverno que castigava a Europa, dificultando a produção de alimentos.

Os antigos povos pagãos europeus homenageavam Ostara, ou Esther, a Deusa da primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. Do nome Esther surgiu a palavra Easter, que significa páscoa em inglês. A deusa e o ovo que ela carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres.


Estes antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. O costume de decorá-los para dar de presente na Páscoa surgiu na Inglaterra, no século X, durante o reinado de Eduardo I (900-924), que tinha o hábito de banhar ovos em ouro para presentear amigos e aliados. Agora a tradição de decorá-los com pinturas faz parte de diversas culturas, para trazer sorte, fertilidade, amor e dinheiro.


A origem desta comemoração vem de muitos séculos atrás.  É uma das datas comemorativas mais importantes entre as culturas ocidentais. A festa cristã da Páscoa tem origem na festa judaica, mas tem um significado diferente, e em ambos os casos se celebra uma “libertação do povo de Deus”.


A páscoa, ou Pessach (passagem  em hebraico), possui três significados.
1.   Para os cristãos representa a morte e ressurreição de Jesus, ocorrida três dias após sua crucificação, de acordo com o Novo Testamento. O domingo de Páscoa é muito importante para os cristãos. As igrejas costumam tratar a data de forma festiva e feliz, pois ela simboliza a esperança e a vida nova em Cristo.
2.   Para os judeus, representa a libertação do povo de Israel no Egito. O nome Pessach é associado a esta festa que celebra e recorda o fim da escravidão de quatro séculos no Egito, a libertação do povo de Israel, conforme narrado no livro de Êxodo. Pessach é o nome do sacrifício executado em 14 de Nissan segundo o calendário judaico e que precede a Festa dos Pães Ázimos (Chag haMatzot). A Páscoa Judaica também está relacionada com a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, onde liderados por Moises, fugiram do Egito. Nesta data, os judeus fazem e comem o matzá (pão sem fermento) para lembrar a rápida fuga do Egito, quando não sobrou tempo para fermentar o pão.
3.   O terceiro significado da Páscoa é pouco conhecido. Refere-se a uma festa de grupos pastoris que viviam na terra de Canaã no segundo milênio antes de Cristo. No final das chuvas, entre março e abril, eles abandonavam suas terras e viajavam para a região das planícies, mais férteis. A festa da Páscoa pedia proteção durante a travessia.

A páscoa é um rito de povos antigos, assimilado pela Igreja Cristã de modo a impor sua influência. Substituindo venerações à natureza por outra figura da mitologia, tomando os significados do judaísmo, os símbolos celtas e fenícios, remodelando-os mediante o Evangelho e dando uma decoração final.

Símbolos da Páscoa

O Ovo de Páscoa


O ovo contém o germe, o fruto da vida, que representa o nascimento, o renascimento, a renovação. O ovo representa o surgimento da vida e a origem do mundo. Daí sua relação com a ressurreição de Cristo e a Páscoa.

Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este “ovo cósmico” aparece depois de um período de caos.

Na Índia acredita-se que uma gansa de nome Hamsa, um espírito considerado o “Sopro divino”, chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao Céu e a Terra. Simbolicamente é possível ver o Céu como a parte leve do ovo, a clara, e a Terra como outra mais densa, a gema.

O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a Terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yang).

Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do Universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros.

Na tradição cristã, o ovo aparece como uma renovação periódica da natureza. Em muitos países europeus, existe a crença de que comer ovos no Domingo de Páscoa traz saúde e sorte durante todo o resto do ano. Também, que um ovo posto na sexta-feira santa afasta as doenças.

A tradição de presentear a família e os amigos com ovos coloridos é um costume antigo dos chineses. Esses povos decoravam ovos de galinha e davam de presente a pessoas queridas, em comemoração à Festa da Primavera, que no hemisfério Norte, coincide com os meses de março e abril, próprios da Páscoa. Ao longo dos anos, o costume foi sendo passado às demais culturas do mundo todo e os ovos de galinha passaram a ser substituídos por ovos de madeira, de prata e de ouro decorados com pedras preciosas e, por fim, pelos de chocolates em decorrência principalmente, da chegada das indústrias de chocolate.

O Coelho

O coelho, apesar de ser um mamífero e, por conseguinte, não botar ovos, assumiu o papel de produtor e entregador dos ovos de Páscoa.
A tradição do Coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.
Outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos, como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos.
No antigo Egito, o coelho era considerado o símbolo da Lua, e simbolizava o nascimento e a nova vida. É possível que ele se tenha tornado símbolo, pelo fato de a Lua determinar a data da Páscoa.
Mas, o que se pode afirmar é que a imagem do coelho na Páscoa está na fertilidade. O coelho se reproduz rapidamente e em grandes quantidades. Entre os povos da antiguidade, a fertilidade era sinônimo de preservação da espécie e melhores condições de vida, numa época onde o índice de mortalidade era muito alto. No Egito Antigo, por exemplo, o coelho representava o nascimento e a esperança de novas vidas.
Assim, os coelhos são vistos como símbolos de renovação e início de uma nova vida. Em união com o mito dos Ovos de Páscoa, o Coelho da Páscoa representa a renovação de uma vida que trará boas novas, e novos e melhores dias.

O Cordeiro


Moisés sacrificou um cordeiro em homenagem e agradecimento a Deus pela libertação dos hebreus da escravidão no Egito.

O cordeiro é um dos principais símbolos de Jesus Cristo, já que é considerado como tendo sido um sacrifício em favor do seu rebanho. Segundo o Novo Testamento, Jesus Cristo é “sacrificado” durante a Páscoa judaica.

Paulo de Tarso, na primeira epístola a Coríntio no capítulo 5, versículo 7 diz:

Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.

Jesus, desse modo, é tido pelos cristãos como o Cordeiro de Deus (em latim: Agnus Dei) que supostamente fora imolado para salvação e libertação de todos do pecado. Para isso, Deus teria designado sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a nova aliança, no sangue do próprio Jesus imolado. Assim, a partir daquela data, o Pecado Original tecnicamente deixaria de existir.

A Cruz


Simboliza a vitória de Jesus sobre a morte, a salvação e a ressurreição. Ela mistifica todo o significado da Páscoa.

No Concílio de Nicea em 325 d.C, Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Então, ela não somente é um símbolo da Páscoa, mas o símbolo primordial da fé católica.

O Pão e o Vinho


Simbolizam a vida eterna, o corpo e o sangue de Jesus, oferecido aos seus discípulos. Evangelho segundo Mateus, capítulo 26 versículos 26 a 28:  

Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.


Sinos
 
São eles que anunciam, nas igrejas católicas, a ressurreição de Cristo no domingo de Páscoa.
 
Círio Pascal

Círio Pascal é uma vela acessa com as letras gregas "alfa" e "ômega" (início e fim).
A luz da vela representa a ressurreição de Cristo.

Colomba pascal

Criado na Itália, é um pão doce em formato de pomba. A pomba simboliza a paz de Cristo e também a presença do Espírito Santo.


Feliz páscoa para todos vocês!
Desejo que o coelhinho traga muito mais que simples ovos de chocolate.



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