Sonhos – Por que nem sempre nos lembramos?





Sonhos de Uma noite de Verão
(William Shakespeare)

“Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem diga nem todas,
Só as de verão.
Mas no fundo isso não tem muita importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si,
São os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares,
Em todas as épocas do ano,
Dormindo ou acordado.”

Todos os mamíferos sonham. Isto é fato. Mas muitas pessoas nunca se lembram de seus sonhos. Isto se deve aos vários circuitos cerebrais que regulam os sonhos, entre eles, o sono e a vigília e mecanismos da memória.

Durante a vigília nosso cérebro está imerso em acetilcolina e noradrenalina, responsáveis pela conexão entre os fatos ocorridos durante o dia - nossas ações, pensamentos, sentimentos, - com os circuitos já existentes, gravando aquela informação como memória de curto ou longo prazo. A ação dessas substâncias na formação da memória está diretamente relacionada com nossa vigília, ou seja, com a atenção que prestamos a cada fato. Dessa forma, a acetilcolina e noradrenalina é que são responsáveis pela capacidade de memorização dos fatos ocorridos durante a vigília.

Já no período do sono, as produções destas substâncias diminuem e aumentam a produção de serotonina, a qual faz com que nossos sonhos (imagens mentais) não reproduzam movimento muscular. A serotonina bloqueia o movimento muscular. A diminuição de acetilcolina e noradrenalina circulante no cérebro diminui a capacidade de memória.

É Por isso que sonhamos, porém nem sempre nos lembramos do que foi sonhado. Somente quando acordamos logo após o sonho. E, para lembrarmos do que foi sonhado, mais tarde, é necessário pensar no sonho para que a acetilcolina e noradrenalina exerçam seu papel na fixação do sonho na nossa memória.

Freud e Jung foram os psicanalistas que mais exploraram o temas dos sonhos. Para eles, os sonhos são desejos inconscientes reprimidos pelo ego. A teoria de um se opõe a teoria do outro.

Para Freud, os sonhos podem ser considerados reminiscências dos acontecimentos diários. Eles têm um propósito codificado para não os entendermos.

Para Jung, os sonhos são símbolos arquetípicos relacionados com a história de vida de cada pessoa, e com o inconsciente coletivo, e ao contrario de Freud, não acreditava que a criação dos sonhos era produto da descarga de nossos impulsos sexuais proibidos. A idéia básica é que os sonhos revelam muito mais do que ocultam. Eles são uma expressão natural de nossa imaginação e usam uma linguagem o mais direta possível para nos mostrar nossa realidade interna.

Por mais surpreendente que seja, Jung não acreditava que os sonhos precisavam ser interpretados para atuarem em seus propósitos. Em vez disso, ele sugeriu que são os sonhos que fazem o trabalho de integração entre a consciência e o inconsciente; o que ele chamou de processo de Individuação. Imagens arquetípicas nos trazem equilíbrio.

Os arquétipos são energias universais em todos os seres humanos que estão em conflito com a sociedade como também com a própria pessoa. Para Jung, quanto mais rápido estabelecermos nosso equilíbrio de todas essas necessidades ancestrais, mais teremos condições de levarmos uma vida produtiva.

O fato é que para a teoria psicanalítica, os sonhos são sempre objeto de interpretação simbólica e subjetiva.

O papel do psicoterapeuta é fornecer esperança a este processo ajudando o cliente a fazer algum sentido de suas imagens oníricas e como relacioná-las com a vida. O psicoterapeuta seria um xamã que nos ajuda a criar uma mitologia pessoal que funcione, jogando fora todos os padrões não adaptados e estabelecendo outros mais saudáveis no lugar deles.
Imagens Marcel Meyer

Um comentário:

  1. Bom e esclarecedor o texto.
    O sonho traz a tona o que ocorre no profundo lago do inconciente e à luz da conciência o que é importante se manifesta sem necessidade de interpretação.
    Arifonseca

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