Sobre as Roupas - Khalil Gibran



E o tecelão disse:

Fala-nos das Roupas.

E ele respondeu:

As vossas roupas ocultam muito da vossa beleza, no entanto não ocultam a fealdade.

E embora procureis no vestuário a liberdade da privacidade, podereis encontrar nele grilhetas.

Pudésseis vós enfrentar o sol e o vento com mais pele e menos vestuário, pois o sopro da vida está na luz do sol e a mão da vida, no vento.

Alguns de vós dizeis:

 "Foi o vento do norte que teceu as roupas que vestimos."

E eu digo:

Ah! Sim! Foi o vento do norte...

Mas a vergonha era o seu ofício e o amolecimento dos tendões o seu tear. E depois de acabar o seu trabalho foi-se rir para a floresta.

Não esqueçais que a modéstia é um escudo contra o olho do impuro. E quando o impuro deixar de o ser, que será a modéstia senão um entrave do espírito?

E não vos esqueçais que a terra adora sentir os vossos pés nus, e os ventos anseiam por brincar com os vossos cabelos.
Trecho do livro O Profeta, de Khalil Gibran

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