Óbvio



Hoje sei que carrego em mim
A serenidade de um monge,
A perspicácia de uma águia,
A paciência e ritmo de um bicho preguiça,
A avidez de um gavião,
A tolerância de um pescador,
O gesto subordinado de um leão de circo,
A prudência e sutileza de um gato.

Hoje eu descobri em mim que
É melhor permanecer no silencio de uma gruta,
É não enxergar o que me machuca
Mesmo que isso me torne taciturno por um tempo,
É me poupar de arranhões de palavras que agridem a alma,
É me fingir de poeta
Enquanto o mundo todo acha que propago a blasfêmia.

E ontem eu percebi que ainda tinha o hoje
E que tudo se esclareceria por inteiro.

Porque a nudez da alma não mortifica o corpo,
E que a vida é plena,
Basta estar no caminho onde se enxerga o óbvio.
Mara Foroni

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