Ao largo



Um homem nada só em mar aberto.
Metade do seu corpo nada em água
Metade do seu corpo nada em céu
E ele todo em azul nada
E mais nada.

Um homem quando nada não é barco
É casco e passageiro ao mesmo tempo
É moinho de vento em movimento.

Um homem não tem vela que o impulsione
Tem a esteira de espuma que o acompanha
E a hélice dos pés que adiante o leva.

Um homem nada só em mar aberto
Linha reta traçada sempre em frente
Como se houvesse meta em seu percurso
Ou porto adiante
Ou terra.

E adiante é mar somente
E mar às costas sem ponto de chegada
Que se veja e sem medida outra
Que não seja a braçada.
Marina Colasanti

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