Rota de Colisão




De quem é esta pele que cobre a minha mão como uma luva?
Que vento é este que sopra sem soprar
Encrespando a sensível superfície?

Por fora a alheia casca
Dentro a polpa
E a distância entre as duas que me atropela.

Pensei entrar na velhice por inteiro
Como um barco ou um cavalo.

Mas me surpreendo
Jovem velha e madura ao mesmo tempo.

E ainda aprendo a viver
Enquanto avanço na rota
Em cujo fim a vida
Colide com a morte.
Marina Colasanti

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