As janelas douradas



O menino trabalhava no campo, ajudando os pais, que eram pequenos fazendeiros e não podiam pagar um ajudante. À tarde, subia ao alto de um morro e ficava olhando para um casa, no alto de numa montanha distante alguns quilômetros; ela tinha janelas de ouro e de diamantes, que brilhavam e reluziam num espetáculo maravilhoso. Pouco depois, ao que parecia, as pessoas fechavam as janelas, e a casa ficava igual a qualquer outra. O menino achava que faziam isso por ser hora de jantar. Voltava para casa, pensativo, e logo ia deitar-se.

Num domingo, o menino disse que ia passear pelo campo e que ia demorar um pouco mais para voltar. O pai então o aconselhou: - “Tente usar o passeio para aprender alguma coisa boa”. Ele beijou os pais e partiu, tomando a direção da casa das janelas douradas. Foi uma caminhada agradável. Os pés descalços deixavam marcas na poeira branca e, quando olhava para trás, parecia que as pegadas o seguiam, fazendo-lhe companhia. Sua sombra caminhava ao seu lado, dançando e correndo, tal como ele. Era muito divertido.

Depois de um tempo, chegou a um morro, verde e alto, e lá estava a casa. Mas ele não viu nada de dourado. Aproximou-se e ficou triste, porque as janelas eram de vidro comum, iguais a qualquer outra, sem nada que fizesse lembrar o ouro. Uma mulher chegou na porta e olhou carinhosamente para ele, perguntando o que queria.
- Eu vi as janelas de ouro lá de onde eu moro - disse - e vim para vê-las de perto, mas elas são de vidro!

A mulher balançou a cabeça e riu.
- Temos apenas uma chácara, e não poderíamos ter janelas de ouro.

Além do mais, o vidro é muito melhor, pois podemos ver através dele!

Ela o convidou para se sentar no degrau de pedra e lhe trouxe um copo de leite e uma fatia de bolo, dizendo que descansasse. Chamou então a filha, que era da sua idade, apresentou-a e voltou aos seus afazeres.

A menina estava sem sapatos, como ele, e usava um vestido de algodão castanho; os cabelos eram dourados como as janelas que ele tinha visto, e os olhos, azuis como o céu do meio-dia. Passearam pelo campo e ela lhe mostrou o seu bezerro preto, com uma estrela branca na testa; ele falou do bezerro que tinha, castanho-avermelhado com as quatro patas brancas. Depois de terem comido uma maçã, ele fez-lhe perguntas sobre as janelas douradas. A menina confirmou, dizendo que sabia tudo sobre elas, mas que ele tinha se enganado de casa.

- Você veio numa direção completamente errada! - exclamou. - Vem comigo, vou te mostrar a casa de janelas douradas, para você saber onde fica.

Foram para lugar mais alto e, no caminho, a menina contou que as janelas de ouro só podiam ser vistas a uma certa hora, perto do pôr-do-sol.

- Eu sei, é isso mesmo!
Ele confirmou.

Ela virou-se e apontou, lá longe, numa montanha, havia uma casa com janelas de ouro e de diamantes, exatamente como ele tinha visto. E quando olhou, o menino viu que era a sua própria casa!

Apressado disse à menina que precisava ir embora. Deu-lhe de presente a sua melhor pedrinha, que trazia no bolso, e ela deu-lhe três castanhas-da-índia. Ele prometeu voltar, mas não contou o que descobrira. Desceu o morro correndo, enquanto a menina o via afastar-se, na luz do sol poente.

O caminho de volta era longo e já estava escuro quando chegou em casa. O lampião e a lareira, acesos, através das janelas tornavam-nas quase tão brilhantes como as vira do morro. Quando abriu a porta, a mãe veio beijá-lo e a irmãzinha pulou em seu pescoço; sentado perto da lareira, o pai levantou os olhos e sorriu.

- Teve um bom dia?
Perguntou a mãe.

Ele balançou a cabeça, concordando.

- E aprendeu alguma coisa?
Perguntou o pai.

- Sim! Aprendi que a nossa casa tem janelas de ouro e de diamantes.
William J. Bennett


Moral da História
Muitas pessoas acreditam que os outros são sempre mais felizes, bonitos, ricos e inteligentes. Mas a verdade nem sempre é o que parece ser. Aprenda a dar valor a você mesmo e ao que possui. Você pode se surpreender com o que vai descobrir.

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