A Macieira Encantada



No vale de uma grande montanha, existia um povoado  muito humilde, onde as pessoas trabalhavam arduamente para conseguir seu sustento.

Neste povoado existia uma lenda sobre uma macieira mágica no alto da montanha que produzia maçãs encantadas, capaz de suprir todas as necessidades das pessoas que ali viviam, mas os que se aventuraram pelas trilhas da montanha, ou não retornavam, ou não conseguiam colher o fruto tão precioso.

Por muitos anos ninguém se aventurara a percorrer estas trilhas, até que, a pobreza e as dificuldades que enfrentavam, e a perspectiva de um longo e tenebroso inverno que se aproximava, não lhes deixou escolhas.

Sabia-se que existiam dois caminhos que levavam até a macieira, um onde não haviam obstáculos a serem enfrentados, e outro, longo e sinuoso, cheio de obstáculos e situações trabalhosas.

Dois homens se dispuseram a enfrentar a difícil tarefa, levando consigo apenas uma mochila contendo alimentos, agasalhos e algumas ferramentas.

O primeiro, em busca de poder e privilégios entre seu povo, foi logo pegando o caminho mais fácil. Feliz por acreditar que seria vitorioso e que conseguiria seu objetivo, ao se deparar com a Macieira Encantada sorriu de felicidade. Mas as maçãs se encontravam em galhos muito altos, seu tronco retilíneo, não havia como subir. Ele não possuía nenhum meio de alcançar o fruto precioso. Resolveu então rodear a macieira em busca de algo que pudesse lhe ajudar, mas nada encontrou. Somente espinhos que lhe feriram os pés. Seus alimentos acabaram. Não havia mais água. E suas ferramentas de nada ajudavam. Cansado, com fome e com sede, caiu prostrado. Quando se deu conta de seu péssimo estado físico, foi obrigado a voltar para a aldeia.

O segundo, que somente queria ajudar seus companheiros, seguiu pela outra trilha. Depois de percorrer uma boa distancia, já sem água, conseguiu encontrar um poço. Quando ele puxou o balde, a corda arrebentou, e então, rapidamente, com suas ferramentas e alguns galhos, improvisou uma escada para descer no poço e retirar a água para saciar sua sede. Resolveu levar a escada consigo e também a corda remendada. Depois de descansar, seguiu viagem e precisou atravessar um rio com uma correnteza muito forte. Construiu, então, uma pequena jangada e com uma vara de bambu como apoio, conseguiu chegar do outro lado do rio, protegendo assim sua mochila, seus agasalhos e todo o material que levava, inclusive a jangada.
Em outro ponto do caminho ele teve de cortar o mato denso e passar por cima de grossos troncos. Com esses troncos ele fez rodas para facilitar o transporte do seu material, usando também a corda para puxar.

E assim, sucessivamente, a cada nova situação que surgia, calmamente, fazendo uso de tudo o que estava aprendendo nessa viagem e do material que, prudentemente guardava, conseguia transpor os obstáculos.

A viagem foi longa, cheia de obstáculos, de detalhes, mas logo chegou o momento tão esperado, e ao se defrontar com a Macieira, seu encanto tomou conta de todo o seu ser.

Ela era tão linda, grande, alta, brilhante. Os raios de sol incidindo nos frutos dourados irradiavam uma luz imensa que o deixou extasiado. Quanto mais olhava para a luz dourada, mais ele se sentia invadir por ela, e percebeu que todo o seu corpo parecia estar também dourado. Nesse momento ele sentiu como se uma onda de sabedoria invadisse sua alma. Com essa sensação maravilhosa ele se deixou ficar, inebriado. Mas logo se pôs a trabalhar e preparou cuidadosamente, seu material, fazendo uso de todos os seus recursos. Transformou a jangada numa grande cesta, para colocar as maçãs que colhesse, subiu na árvore, pela escada, usou o bambu para empurrar as maçãs mais altas e mais distantes. Tudo isso e mais algumas providências que sua criatividade lhe sugeriu para facilitar seu trabalho, que havia se transformado em prazer.

Depois de encher a cesta com as maçãs, voltou pelo caminho mais fácil, levando consigo os frutos de seu trabalho e de seus esforços. Agradeceu por cada obstáculo enfrentado, pois sem eles, não teria conseguido realizar a tarefa de ajudar seu povo.


Moral da história
Nada vem ao acaso. Todo obstáculo a ser vencido nos prepara para uma situação futura. Quando seu objetivo é nobre, não há nada que o faça desistir no meio do caminho, e se você trabalha com prazer, suas chances de sucesso são muito maiores.

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