Dia 365




Termina o ano comum.
Termina o ano como um outro qualquer.
Amei cada um dos dias que gastei.
E gostei de os gastar,
De os gostar.
E degustei as horas,
As semanas,
Os meses.

Fui sábio umas vezes,
Outras, impaciente.
Pedi-te:
Dá-me a tua canção,
Canta-a com os teus olhos,
Os olhos do coração
Irmãos da terra,
Irmãos da sombra,
Da cal, do sisal e do azul.

Mal me bastam as mil razões do mel
Para sorrir e
Para bater à porta de cada página,
Procurando no reverso,
Os versos da ternura.

Afago a pele dos dias,
A carne aflita da distância.

Quem é que quer dar outro nome
Às coisas que sempre se chamaram assim,
E que assim se cantam
Porque, agora,
Os dias serão prova exaustiva de coragem?
Joaquim Pessoa in Ano Comum

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