Qual Vaso Você Escolhe?



Um homem, atormentado pela dúvida, foi até um sábio para ajudá-lo a se decidir com quem ficaria. Com sua esposa, ou com sua amante.

Sua amante era jovem, bonita, cheia de vida. Ele se sentia feliz a seu lado, e até mais jovem. Durante as viagens de negócios, ela permanecia no anonimato, passando os dias nos shoppings e salões de beleza, e a noite, linda e carinhosa a seu lado, com a pele macia, cabelos sedosos, e com disposição para satisfazer todos os seus desejos. Ele a mantinha em um apart hotel para não despertar a atenção daqueles que o rodeavam, e, como era um homem de poses, ela não precisava trabalhar. Bastava uma ligação telefônica para que ela se preparasse para recebê-lo, com todo o carinho do mundo.

Já quando, à noite, regressava ao lar, recebia um abraço e um beijo de sua esposa, e aí começava a ladainha de deveres do dia a dia, sobre como os filhos estavam indo na escola, reunião de pais e alunos, problemas com a empregada, tomar decisões sobre as contas a pagar, e ainda responder, com ar de felicidade, como foi o seu dia. Algumas vezes discordavam sobre algum assunto, o que acabava em discussões, pois ela tinha um gênio forte e estava sempre decida a provar que estava certa. E geralmente ela tinha razão. Ela não tinha tempo para se enfeitar para recebê-lo, pois além de administrar o lar, ainda trabalhava em um escritório de advocacia, e, muitas vezes levava pilhas de papeis para analisar em casa.

O sábio ouviu tudo em silêncio, e como resposta, pegou um vaso com uma bela rosa e um vaso de cacto, e pediu para que ele escolhesse entre um deles.

Sem pestanejar, escolheu o vaso que continha uma rosa linda e perfumada, ao que o sábio respondeu:

- Eu já imaginava que sua escolha seria esta, pois os homens são movidos pela beleza externa e escolhem o que lhes parece brilhar mais. A rosa é sem dúvidas, a mais bela, mas logo, logo, começa a murchar e perde todo o seu encanto. Já o cacto, independentemente do tempo ou do clima, permanece o mesmo, verde com espinhos, e um dia vai lhe dar a flor mais bela que já viu. Sua esposa é como o cacto, conhece seus defeitos, suas fraquezas, seus erros. Com ela, você é capaz de enfrentar bons e maus momentos, com a certeza que ela estará sempre lá para apoiá-lo e ampará-lo. Ela foi capaz de lhe dar as mais belas flores, que são seus filhos, e a única coisa que ela lhe cobra, é a educação, para que um dia sejam homens fortes e honestos.

Por outro lado, sua amante é como uma roseira, que, agora florida, lhe proporciona prazer e lhe embriaga com seu perfume. Mas lembre-se, ela também tem espinhos. Ela não lhe estimula a crescer, não discute e muito menos discorda de suas decisões. Ela é uma extensão de seus pensamentos. Parece-me não ter vontade própria, e, enquanto florida, usufrui das coisas boas que, um homem em sua posição é capaz de oferecê-la. Ela é jovem, bonita, e ao mesmo tempo frágil, e o tempo é cruel a todos. A beleza acaba. E o que sobra?

E se lhe acontecer algo que, por ventura, venha a lhe tirar desta posição social privilegiada? Ela continuará a seu lado, ou não hesitará em te trocar por outro amante?


Agora lhe dou uma segunda oportunidade:
Qual vaso você escolhe?
Cristina Corradi
Adaptado de um antigo conto


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