O Menino e o Cinema



Aquela gripe inesperada era tudo que ele não precisava.
Justo nesse dia!

Ele estava ardendo em febre e mesmo assim implorava para que sua mãe o deixasse ir ao cinema. O cinema realmente o fascinava.

Desde os 12 anos, ele e o irmão Léo entravam pela saída das sessões cinemas da Cinelândia, para não pagar ingresso.

No Cine Odeon, infiltravam entre o público que saía, e caminhavam sorrateiramente em sentido contrário, até alcançar a sala de exibição, sem ter de pagar o ingresso. O dinheiro economizado era gasto em figurinhas que vinham em balas que ele colecionava.

Mas na quinta-feira a tarde ele não podia correr o risco de perder a exibição de sua série preferida, O Vale dos Desaparecidos, que passava no Cine OK. Era a única sessão em que ele pagava para entrar.

 No Cine OK, sua pilantragem não dava certo, porque o porteiro e o guarda de serviço já o conhecia.

Justamente hoje, quinta feira. Dia de assistir o seriado O Vale dos Desaparecidos. Não queria perder de modo algum nenhum capítulo. Como iria entender os capítulos seguintes?

Sua mãe não queria saber de argumentos. Gripado e com febre alta, Dona Rebecca não deixou que ele saísse de casa.

Uma angústia passou pelos seus olhos. Ficou arrasado. E chorou. Mas a palavra da mãe prevaleceu.

Chorando e com febre, pensava nas dificuldades que enfrentava na vida, na pobreza em que viviam, e no seriado de quinta-feira que ele estava perdendo lá no Cine Ok.

“Isso não é justo!
Por que essa febre justo hoje?
Por que na quinta-feira?
Não podia esperar mais um dia?
Tantos dias para ficar doente, e justo na quinta-feira?
Que injustiça era essa?
Com certeza alguém lá em cima está de marcação comigo e me mandou essa febre para atrapalhar tudo...”

Resmungou, resmungou, mas acabou dormindo.
Acordou horas depois com o chamado dos amigos.

Ao abrir os olhos no humilde quarto em que dormia, o menino recebeu a notícia de que havia escapado da morte. O Cine Ok havia pegado fogo naquela tarde de quinta-feira.

Moral da história
Quando você não entender o porquê de uma doença, ou do pneu furado justamente quando você está atrasado para algum compromisso, ou o ônibus que não para no ponto e segue direto, aquele voo atrasado que te impede de pegar a próxima conexão, o carro que você tanto queria e não consegue comprar...
Pequenos acidentes que te atrasam, e, com isso, você julga perder alguma coisa, faça como o menino Senor Abravanel , mais conhecido como Silvio Santos, que aos 12 anos de idade, descobriu que alguém lá em cima estava cuidando dele e com certeza, ele tinha uma missão muito maior do que assistir ao seriado de quinta-feira à tarde.

Será que a sua “febre” não está te livrando de algo muito pior?
Pense nisso, mas não deixe de sonhar e de lutar por uma vida melhor.
Agradeça por tudo de bom ou de ruim que possa acontecer em seu caminho, em sua vida. E viva!


História baseada em fatos reais, contada no livro A Fantástica História de Silvio Santos
Adaptada de Paulo Roberto Gaefke

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