A Liberdade da Alma



A alma não pode imaginar nada, nem recordar-se das coisas passadas senão enquanto dura o corpo.

A alma humana não pode ser absolutamente destruída juntamente com o corpo, mas alguma coisa permanece, que é eterna.

O esforço supremo da alma e a suprema virtude são compreender as coisas pelo terceiro gênero de conhecimento.

Desse terceiro gênero de conhecimento, provém o maior contentamento da alma que pode existir.

Tudo que a alma compreende, do ponto de vista da eternidade, não o compreende porque concebe a existência presente atual do corpo, mas porque concebe a essência do corpo do ponto de vista da eternidade.

O amor intelectual de Deus, que nasce do terceiro gênero de conhecimento é eterno. Deus ama-se com um amor intelectual e infinito.

Por estas coisas compreendemos claramente em que consiste a nossa salvação, ou seja, a nossa felicidade ou liberdade, a saber, num amor constante e eterno para com Deus; por outras palavras, no amor de Deus para com os homens.

Quanto mais perfeição uma coisa tem, tanto mais age e menos sofre e, inversamente, quanto mais age mais perfeita é que acredita ser livre na medida em que lhe é permitido obedecer às suas paixões, e que renuncia ao seu direito na medida em que é obrigado a viver segundo as prescrições da lei divina.

A felicidade não é o prêmio da virtude, mas a própria virtude, e não gozamos dela por refrearmos as paixões, mas, ao contrário, gozamos dela por podermos refrear as paixões.

Se o caminho que eu mostrei para a liberdade parece árduo, pode, todavia, ser encontrado. Com certeza deve ser árduo aquilo que muito raramente se encontra.

Como seria possível, com efeito, se a liberdade estivesse à mão e pudesse encontrar-se sem grande trabalho, que ela fosse negligenciada por quase todos?

Mas todas as coisas notáveis são tão difíceis como raras.
Baruch Spinoza

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