A Liberdade do Corpo



Se no mesmo sujeito, são excitadas duas ações contrárias, deverá necessariamente produzir-se, em ambas ou numa só, uma mudança, até deixarem de ser contrárias.

Se nós separarmos pelo pensamento uma comoção da alma, ou seja, um afeto da sua causa externa e a ligarmos a outros pensamentos, então o amor ou o ódio para com a causa externa, assim como também as flutuações da alma, que nascem destes afetos, serão destruídos.

Um afeto, que é paixão, deixa de ser paixão no momento em que dela formamos uma idéia clara e distinta. Não há nenhuma afecção do corpo de que nós não possamos formar um conceito claro e distinto.

Na medida em que a alma conhece as coisas como necessidades, tem maior poder sobre as afecções, por outras palavras, sofre menos por parte delas.

O ódio se vence pelo amor, e a ordenação dos nossos pensamentos e imaginação deve atender sempre àquilo que há de bom em cada coisa.

A alma pode fazer que todas as afecções do corpo, ou seja, as imagens das coisas se refiram à idéia de Deus. Aquele que se compreende a si mesmo e às suas afecções distintamente, ama a Deus, e tanto mais quanto mais se compreende a si e às suas afecções.

Este amor para com Deus deve ocupar a alma acima de tudo.
A idéia de Deus, que existe em nós, é adequada e perfeita e, por conseguinte, na medida em que contemplamos Deus, agimos impulsionados pelo que amamos, e o que amamos é a necessidade absoluta que, assim, nos faculta a liberdade.
1. No próprio conhecimento das afecções;
2. Em que a alma separa a afecção do pensamento da causa externa, que nós imaginamos confusamente;
3. No tempo, graças ao qual as afecções que se referem às coisas que nós compreendemos triunfam das que se referem às coisas que nós concebemos confusamente, ou seja, de maneira mutilada;
4. Na enorme quantidade de causas pelas quais as afecções, que se referem às propriedades comuns das coisas ou a Deus, são alimentadas;
5. Finalmente, na ordem em que a alma pode ordenar as suas afecções e encadeá-las entre si.

Depois, deve notar-se que as doenças do espírito e os infortúnios tiram, sobretudo, a sua origem do amor excessivo para com uma coisa que está sujeita a muitas mudanças e de que nunca podemos ser senhores.
Baruch Spinoza

Um comentário:

  1. Se em um mesmo ponto atuarem duas ações contrárias ocorrerá uma mudança até deixarem de ser contrárias.
    Assim é nosso corpo e nossa alma.
    Na medida em que a alma conhece as coisas como necessidades, sofre menos por parte delas.
    A alma, através de nosso pensamento, pode fazer que todas as afecções do corpo. Aquele que se compreende e às suas afecções distintamente, compreende a si mesmo e às suas afecções.
    Se agirmos impulsionados pelo que amamos como necessidade absoluta, isso nos faculta a liberdade.
    As doenças do espírito e os infortúnios tiram, sobretudo, a sua origem do amor excessivo para com uma coisa que está sujeita a muitas mudanças e de que nunca podemos ser senhores.

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