O Outro


Por que clamas aos deuses
Ás estrelas,
Às espumas de ocultos oceanos,
Ou às sementes de jardins longínquos,
Se o que te fere é a tua própria vida,
Se o que crava as garras nas tuas entranhas
É o nascer de cada novo dia
E a noite que cai,
Retorcida e assassinada?

Se o que sentes é a dor em outro alguém que não conheces
Mas que está sempre presente
E é vitima,
Inimigo,
Amor,
E tudo aquilo de que precisas para alcançar a totalidade?

Não te entregues ao poder das trevas
Nem esvazies de um só trago a taça do prazer.

Olha à tua volta
 Existe outro alguém,
Sempre um outro alguém.

O que ele respira é a tua asfixia...
O que ele come é a tua fome.

Morto,
Levará consigo
A metade mais pura da tua própria morte.
Rosário Castellanos

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