Faxinar é uma Arte


Faxinar é uma arte.
Vale para textos,
Armários,
Gavetas,
E também para manias,
Lembranças,
Rancores.

A maturidade tem muitas vantagens,
Entre elas
A de deixarmos de ser tão sentimentais com nosso passado
E promovermos um arrastão em tudo o que é excessivo.
Não há mais tempo para delongas:
Uma vez conhecendo melhor a nós mesmos,
É hora de priorizar a essência
A nossa e a de todos.

O que não impede que pessoas mais jovens
Comecem a se habituar desde cedo a não colecionar inutilidades,
Como amigos falsos,
Preconceitos
E dramalhões.

Hoje, considera-se rico aquele que tem
Um milhão de seguidores no Twitter e curtidas no Face,
Ou aquele que acredita que um sem-número de sapatos,
Bolsas
E tênis
Acalmará sua ansiedade,
Afugentando o vazio.

Será mesmo preciso gastar metade da vida até perder essa ilusão?

O que nos dignifica não é um guarda-roupa abarrotado
Ou uma cabeça lotada de neuras.

Simplificar, ao contrário do que se pensa,
Nunca foi provinciano,
E sim um luxo que poucos conseguem bancar.

Acumular é que é provinciano.
Nem mesmo quando relaciono esse verbo a afeto e dinheiro
Consigo dar a ele algum crédito,
Pois acúmulo nada tem a ver com suficiência.
Se temos afeto e dinheiro suficientes para viver bem,
Com paz,
Conforto
E alegria,
Para que correr atrás de mais e mais?
O excesso pode conspirar contra,
Nos exigindo um esforço extra para manter a roda girando.
O suficiente faz a roda girar sozinha.
Martha Medeiros

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