Palco da Vida

Não vim pra falar de mansidão,
Não é a calma que me acomete nessa tarde oca;

Venho falar de tempestades que atravesso,
Das tormentas que me alcançam e me tiram da rota, e
Do leão que tenho que matar todos os dias;

Falo desse caminho lindo e árduo que me foi reservado,
Dessa existência muitas vezes insana,
Que não veio com manual de instruções;

Falo também desse inicio de noite,
Onde eu gostaria que o mundo
Não passasse das fronteiras do meu edredon;

Essa minha vida-espetáculo,
Onde personagens principais querem ficar na coxia,
Onde o protagonista inúmeras vezes esquece o seu texto
E não encontra ninguém para dar a sua deixa;

Palco-Vida!
Me mostre onde é a minha marcação,
Onde e como devo atuar nesses cenários que mudam
E se alternam sempre que me movo em direção a algum canto;

Preciso de respostas
Não me encham de perguntas,
Hoje tem coisas que eu prefiro nem saber…

A inconsciência, nesse caso,
É mais segura
E me acolhe melhor.

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