Nise da Silveira

Este é um gesto que, por assim dizer, resume a psicologia Junguiana…
Apontar para o centro, o Self, simbolizado pela mandala.
“O Self é o princípio e arquétipo da orientação e do sentido:
nisso reside sua função curativa.” 
Nise da Silveira, 1981

Nise da Silveira (1905 – 1999) alagoana, médica psiquiatra, após ser presa pela ditadura do Estado Novo assumiu o setor de terapia ocupacional do Hospital Pedro II, no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro.

Foi aluna e seguidora de Jung, e a criadora do museu de Imagens do Inconsciente, da casa das Palmeiras, onde defendeu uma abordagem mais humana e a utilização da arte no tratamento de pacientes psicóticos, pois acreditava que as atividades de pintura e modelagem constituem-se numa forma de expressão dos conteúdos do inconsciente, permitindo que o processo psicótico se torne visível em seu desdobramento.

Notando que os pacientes do hospital criavam muitas imagens circulares, algumas irregulares e outras bastante harmoniosas, começou a colecionar mandalas de diferentes autores, constituindo assim parte do acervo do Museu das Imagens do Inconsciente. Tendo inúmeras dúvidas de natureza teórica, Nise escreveu a Jung, enviando-lhe algumas fotografias de mandalas feitas pelos pacientes.

Sua primeira carta foi escrita em 12 de novembro de 1954 e obteve resposta da Sra. Aniela Jaffé, secretária e colaboradora de Jung, em 15 de dezembro de 1954.

Na carta, Jung observava que os desenhos tinham uma regularidade notável, rara na produção dos esquizofrênicos, o que demonstrava forte tendência do inconsciente para formar uma compensação da situação de caos do consciente. Ele também notou a prevalência de diversos números.

Interessado, Jung pediu permissão para manter as mandalas em seu poder.

Em abril de 1957, Nise deslocou-se a Zurique para estudar no Instituto C. G. Jung, levando consigo pinturas e esculturas de vários autores para apresentá-las em uma exposição de produções plásticas de esquizofrênicos, que se realizaria por ocasião do II Congresso Internacional de Psiquiatria. A exposição foi aberta por Jung, na manhã de 2 de setembro, e incluiu comentários e interpretações sobre as mandalas criadas por pacientes brasileiros.


A Importância da Vida

Deus costuma usar a solidão
Para nos ensinar sobre a convivência.

Às vezes, usa a raiva
Para que possamos compreender o infinito valor da paz.

Outras vezes usa o tédio,
Quando quer nos mostrar a importância da aventura e do abandono.

Deus costuma usar o silêncio
Para nos ensinar sobre a responsabilidade do que dizemos.

Às vezes usa o cansaço,
Para que possamos compreender o valor do despertar.

Outras vezes usa a doença,
Quando quer nos mostrar a importância da saúde.

Deus costuma usar o fogo,
Para nos ensinar a andar sobre a água.

Às vezes, usa a terra,
Para que possamos compreender o valor do ar.

Outras vezes usa a morte,
Quando quer nos mostrar a importância da vida.
Paulo Coelho


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