Pé ante Pé



Demorei para entender que às vezes, as coisas simplesmente acontecem. Sem porquês, ou causas anteriores, apenas acontecem. 

Claro que em muitas ocasiões, são nossos pés que traçam o rumo da estrada que percorremos e tudo o mais é consequência das escolhas feitas anteriormente. Mas, em dado momento, as coisas acontecem sem que nada do que você tenha feito anteriormente tenha interferido. E, é nesses momentos que você oscila entre seguir em frente ou continuar ali, tentando entender o porquê. E, como não existem porquês, você apenas zanza em círculos, impotente demais para mudar o acontecido. 

E, é claro, quando você luta e dai percebe num determinado momento, que lutar é ainda a saída mais fácil, que o mais difícil é aceitar o que está ali e aprender a desistir. Entenda, que não é desistir da fé, mas desistir de dar murros em ponta de faca, desistir de dar braçadas lutando contra uma corrente que é mais forte do que seus braços. Aprender a lidar com a maré. Isso sim, é o mais difícil. 

Viver um dia de cada vez é entender que o pé direito sempre vai após o esquerdo, e é assim que construímos passos, talvez isso implique em caminhadas futuras, no entanto, concentrar apenas no pé que apoia, sem pensar em mais nada, faz parte de um processo seguro anti-loucura. Pensar no que virá a seguir, ou no que nos espera na próxima esquina, ou ainda, na estrada que acabamos de deixar para trás, tudo isso implica em não seguir em frente. 

Mesmo que as lágrimas insistam, mesmo que a dor seja maior do que se ache capaz de aguentar, um pé sempre vai após o outro e os passos serão dados, rumo a algo ou algum lugar qualquer, que talvez seja melhor, ou não, a aquele que você está. Acreditar nos meus pés e passos. Talvez seja isso que esteja fazendo agora. Incerta dos rumos que se desenham perante meus olhos. Mas convicta de que é isso que posso fazer por hoje. E, por enquanto, isso é tudo que posso fazer, mesmo doendo.

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